Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) firma parceria com Secretaria de Estado de Educação do MT para capacitação de professores

terça-feira, 16 de junho de 2015


Representantes da Gerência de Educação Especial da Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso (Seduc-MT) se reuniram nesta quarta-feira, 10, com o vice-presidente do CPB Mizael Conrado para firmar uma parceria entre os dois órgãos.

No encontro, realizado na sede do Comitê, em Brasília, foi estabelecido que o CPB, por meio de cursos promovidos pela Academia Paralímpica Brasileira (APB), capacitará professores de educação física da rede estadual de ensino de MT.    

“O esporte tem um papel fundamental na inclusão de pessoas com deficiência. Por meio da APB, vamos oferecer os cursos para que esses professores possam estar preparados para trabalhar com os alunos com deficiência”, afirmou Mizael.   

“No total, são 748 escolas em 141 municípios. Hoje, mais de 16 mil pessoas tem algum tipo de deficiência do estado do MT”, explicou Marcino de Oliveira, gerente de Educação Especial da Seduc-MT.   


Os primeiros cursos estão previstos para ocorrer já no segundo semestre deste ano. A Associação Mato-grossense de Deficientes (AMDE) também será beneficiada pela capacitação. 

Entrevista: A neurociência do desenvolvimento infantil aplicada à educação

terça-feira, 8 de abril de 2014

“A gente aprende o que [a gente] faz. A gente melhora naquilo que a gente faz. Se você quer promover o desenvolvimento cognitivo, precisa dar oportunidades de a criança usar as suas habilidades cognitivas”, afirma a neurocientista Suzana Herculano-Houzel. A pesquisadora concedeu entrevista àGestão Educacional durante um dos encontros regionais de atualização para professores e coordena­dores da educação infantil e do ensino fundamental I, promovidos pelo Sistema Etapa, em São Paulo, no mês de setembro. Suzana foi uma das palestrantes do evento e falou sobre a neurociência do desenvol­vimento infantil aplicada à escola (para crianças de zero a dez anos).As características do amadurecimento emocional e saudável do cé­rebro e a ligação desse processo com o aprendizado estão entre os temas abordados por Suzana, que é autora do livro O cérebro em transformação (Ed. Objetiva), entre outros, colunista da Folha de S. Paulo e conhecida pela série Neurológica, exibida no Fantástico. A neurocientista também dirige o Laboratório de Neuroanatomia Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Acompanhe a entrevista.
Gestão Educacional: Você fala a respeito da neurociência do de­senvolvimento infantil aplicada à escola e voltada às crianças de zero a dez anos. Por que o recorte nessa faixa etária?
Suzana Herculano-Houzel: De zero a dez anos é o período da infância. Daí em diante é a adolescência, [fase em que] começa uma segunda onda de transformações no cérebro. Anteriormente, acreditava-se que o período importante de motivações no cérebro e da formação deste na infância seria de zero a três anos. Hoje, sabemos que esse período é muito mais longo. Durante toda a infância, há modificações no cérebro, mas ainda assim acreditava-se que aos dez anos essas modificações estariam terminadas e o cérebro estaria pronto. Hoje, a neurociência mostra que não é assim. Primeiro porque as transformações do período da infância, de desenvolvimento do cérebro mesmo, duram toda a infância, ou seja, até os dez, onze anos de idade. Mesmo assim, quando se chega a essa idade, o cérebro ainda não está pronto, vem uma segunda onda de transformações, que são res­ponsáveis pelo comportamento adolescente. Essa divisão faz sentido em termos de desenvolvimento e de aplicação para a educação. Além disso, [a neurociência e o desenvolvimento infantil] são dois assuntos complementares que eu abordo em palestras diferentes nas escolas.
Gestão Educacional: Em que as descobertas sobre o desenvolvimento do cérebro podem contribuir para a educação?
Suzana: Toda vez que você entende melhor o assunto de que trata e com o qual lida na prática, o seu resultado é muito melhor, não só em relação ao desempenho efetivo e bem-estar de professores e alunos, mas também em relação ao aprendizado das várias interações na escola. É claro que você pode ser professor sem saber um pingo de neurociência e descobrir na prática temas e recomendações que a gente pode chegar a dar com a neurociência. Mas juntar forças é extraordinário. Quando se descobre que outras pessoas tratam do mesmo assunto que você, mas de maneiras complementares, ganha-se muito mais informação sobre o que se está fazendo. [O professor] consegue entender melhor “porque funciona melhor quando faço assim na escola com meus alunos”. E isso gera não só resultados melhores e satisfação para todo mundo, mas também aprendizado melhor, que é o que a gente quer na escola.
Gestão Educacional: De que forma os professores podem se aprofundar nessa questão?
Suzana: Há alguns cursos de atualização que oferecem esse tipo de conteúdo. A literatura em inglês já está muito mais avançada. Aqui no Brasil ainda há pouca coisa a respeito. Eu estou preparando um livro especificamente sobre a neurociência voltada à aplicação na escola. A neurociência do aprendizado e do desenvolvimento infantil e de adolescentes.
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