Entrevista: A neurociência do desenvolvimento infantil aplicada à educação

terça-feira, 8 de abril de 2014

“A gente aprende o que [a gente] faz. A gente melhora naquilo que a gente faz. Se você quer promover o desenvolvimento cognitivo, precisa dar oportunidades de a criança usar as suas habilidades cognitivas”, afirma a neurocientista Suzana Herculano-Houzel. A pesquisadora concedeu entrevista àGestão Educacional durante um dos encontros regionais de atualização para professores e coordena­dores da educação infantil e do ensino fundamental I, promovidos pelo Sistema Etapa, em São Paulo, no mês de setembro. Suzana foi uma das palestrantes do evento e falou sobre a neurociência do desenvol­vimento infantil aplicada à escola (para crianças de zero a dez anos).As características do amadurecimento emocional e saudável do cé­rebro e a ligação desse processo com o aprendizado estão entre os temas abordados por Suzana, que é autora do livro O cérebro em transformação (Ed. Objetiva), entre outros, colunista da Folha de S. Paulo e conhecida pela série Neurológica, exibida no Fantástico. A neurocientista também dirige o Laboratório de Neuroanatomia Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Acompanhe a entrevista.
Gestão Educacional: Você fala a respeito da neurociência do de­senvolvimento infantil aplicada à escola e voltada às crianças de zero a dez anos. Por que o recorte nessa faixa etária?
Suzana Herculano-Houzel: De zero a dez anos é o período da infância. Daí em diante é a adolescência, [fase em que] começa uma segunda onda de transformações no cérebro. Anteriormente, acreditava-se que o período importante de motivações no cérebro e da formação deste na infância seria de zero a três anos. Hoje, sabemos que esse período é muito mais longo. Durante toda a infância, há modificações no cérebro, mas ainda assim acreditava-se que aos dez anos essas modificações estariam terminadas e o cérebro estaria pronto. Hoje, a neurociência mostra que não é assim. Primeiro porque as transformações do período da infância, de desenvolvimento do cérebro mesmo, duram toda a infância, ou seja, até os dez, onze anos de idade. Mesmo assim, quando se chega a essa idade, o cérebro ainda não está pronto, vem uma segunda onda de transformações, que são res­ponsáveis pelo comportamento adolescente. Essa divisão faz sentido em termos de desenvolvimento e de aplicação para a educação. Além disso, [a neurociência e o desenvolvimento infantil] são dois assuntos complementares que eu abordo em palestras diferentes nas escolas.
Gestão Educacional: Em que as descobertas sobre o desenvolvimento do cérebro podem contribuir para a educação?
Suzana: Toda vez que você entende melhor o assunto de que trata e com o qual lida na prática, o seu resultado é muito melhor, não só em relação ao desempenho efetivo e bem-estar de professores e alunos, mas também em relação ao aprendizado das várias interações na escola. É claro que você pode ser professor sem saber um pingo de neurociência e descobrir na prática temas e recomendações que a gente pode chegar a dar com a neurociência. Mas juntar forças é extraordinário. Quando se descobre que outras pessoas tratam do mesmo assunto que você, mas de maneiras complementares, ganha-se muito mais informação sobre o que se está fazendo. [O professor] consegue entender melhor “porque funciona melhor quando faço assim na escola com meus alunos”. E isso gera não só resultados melhores e satisfação para todo mundo, mas também aprendizado melhor, que é o que a gente quer na escola.
Gestão Educacional: De que forma os professores podem se aprofundar nessa questão?
Suzana: Há alguns cursos de atualização que oferecem esse tipo de conteúdo. A literatura em inglês já está muito mais avançada. Aqui no Brasil ainda há pouca coisa a respeito. Eu estou preparando um livro especificamente sobre a neurociência voltada à aplicação na escola. A neurociência do aprendizado e do desenvolvimento infantil e de adolescentes.
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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Mãe de uma criança com paralisia cerebral inventa uma forma de o seu filho andar!
Cansada de ver as crianças que sofrem deste mal só poderem se movimentar em cadeiras de rodas , Elnatã Debby, que tem um filho com paralisia cerebral, decidiu criar o seu próprio transporte.
Elnatã é musico-terapeuta e conseguiu firmar uma parceria com uma empresa na Irlanda do Norte para iniciar a produção deste equipamento que permite que a criança caminhe com as pernas de seus pais, além de melhorar suas habilidades motoras e fortalecer seus músculos.
Os especialistas concordam que esta criação pode mudar e fortalecer o vínculo entre pais e filhos com problemas de mobilidade. A ideia não só permitiu que seu filho permanecesse de pé, mas também ajudou outros pais que têm problemas semelhantes.
O equipamento será adotado pelo Reino Unido, EUA e Canadá para apoiar as terapias com as crianças. Ela espera que sua invenção atinja todo o mundo e permitindo que mais crianças com problemas de mobilidade consigam ficar de pé e se movimentar.